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quinta-feira, janeiro 29, 2004

"Um cardeal corajoso em Sodoma"
Um qualquer cardeal belga disse umas barbaridades sobre homossexuais e judeus. Já vi na blogosfera (aqui e aqui) a natural indignação. Mas a reacção que mais curiosidade me despertou foi este artigo de opinião no Diário do Minho. Tão longe estamos ainda do século XXI…

Paralelismos da intolerância
Na questão do véu muçulmano em França e na do aborto em Portugal vejo a mesma arrogância dos que consideram a sua moral superior à dos outros e um atentado à liberdade individual, um valor supostamente caro à direita. Curiosamente, num lado temos uma intolerância anti-religiosa enquanto que do outro há uma intolerância que tem muito de religioso. Em França, o governo quer proibir as mulheres de utilizarem o véu em locais públicos. É a imposição da vontade do poder laico que tenta que a sua visão das coisas seja a de todos. Mesmo considerando que o véu pode ser visto como um instrumento para a submissão das mulheres, há muitas que o usam de o livre e espontânea vontade e terão que deixar de o fazer. Em Portugal é o que se sabe: há pessoas que acham que uma mulher, mesmo não tendo condições para criar um filho, não deve fazer um aborto. Tudo bem, quem não quiser não faz. Mas quem achar que essa é a melhor solução não o pode fazer, já que se decidiu que uma questão que diz respeito à intimidade de cada um devia ser submetida à vontade da maioria. Levou-se a referendo algo que não deve ser referendável. E, porque se levou a decisão a referendo, coisa que nunca deveria ter acontecido, pede-se agora outro. Não é a forma ideal de fazer isto. Mas é a possível de momento. Em democracia, as minorias são obrigadas a respeitar as decisões das maiorias em questões de carácter geral. Não deviam era ser obrigadas a submeter às decisões das maiorias as opções relativas à sua vida pessoal.

Ainda Fehér
Já tudo foi dito e redito sobre a trágica morte do jogador. Não acho que, comparado com outras situações e comportamentos tradicionais da comunicação social portuguesa, o mediatismo tenha sido, na generalidade, excessivo ou masturbatório. Houve alguns exageros, como a repetição exaustiva das imagens na noite de domingo ou a emissão non-stop da TVI a partir da Hungria, mas confesso que esperava pior. Talvez já esteja com as expectativas demasiado baixas em relação aos nossos media para me indignar. É um facto que foi uma morte especialmente chocante, exactamente por ter sido transmitida em directo e foi exactamente isso que tornou esta uma morte diferente das outras, provocando o espanto e a comoção também em muita gente que provavelmente nunca tinha ouvido falar em Miki Fehér.
É de realçar, contudo, a dignidade com que tudo se passou, com a solidariedade imediata e sincera da chamada "família do futebol", que foi bonito de ver. Houve quem visse uma oportunidade para terminar de vez com as questiúnculas, o que será algo lírico, pois ao próximo fora-de-jogo mal assinalado já está tudo outra vez à batatada, mas fica o exemplo dado nestes dias em como essa união é necessária quando coisas de transcendente importância acontecem. Resta-nos o respeito e a homenagem, que será feita este fim-de-semana nos jogos de futebol. Ouvi há pouco o Rui Jorge pedir absoluto respeito perante o minuto de silêncio antes do Sporting-Porto. Creio que desta vez mesmo a meia dúzia de imbecis do costume que não resistem a mandar umas bocas nestas alturas nos acompanhará a todos nesses instantes.
Para terminar, sabe-se que há um processo a correr em tribunal sobre a transferência do jogador. O Benfica foi condenado a pagar 60 mil euros ao FC Porto e ambos pediram recurso, uns porque não queriam pagar nada e outros porque queriam receber mais. Creio que a maneira correcta de resolver isto seria ambos desistirem dos recursos e esse dinheiro ir directamente para a família de Fehér. É a maneira mais válida de resolver honradamente um assunto que, a continuar em tribunal, se tornará mórbido e constrangedor.

O Senhor dos Anéis 3 - análise sistémica
Fui ver o filme (não tinha alternativas) e confesso que tenho de lhe dar razão. Mas acho que a sua análise pecou por insuficiência. Com efeito, a terceira parte da saga de Aragorn (esse misto de Pedro Mendes com Jim Morrisson) e seus amigos é marcada por uma intensa complexidade metafórica. O Regresso do Rei faz uma clara homenagem a duas referências intemporais: a Guerra das Estrelas e o Dragon Ball. Senão veja-se a dada altura a clara semelhança entre uma das personagens femininas (afinal existem!) com a Princesa Leia, assim como a presença de um sucedâneo de Darth Vader que é morto, imagine-se, por outra mulher. O espírito Dragon Ball está presente ao longo de todo o filme, pelo que seria fastidioso enumerar todos os pequenos detalhes. Por exemplo, apenas para demonstração, é óbvio para todos que o Gandalf é na realidade uma tentativa - algo falhada, diga-se - de passagem para carne e osso desse mito que dá pelo nome de Tartaruga Genial. Mas na obra realizada por Peter Jackson há inúmeras referências ao nosso imaginário colectivo, começando pela idealização de uma verdadeira união entre os povos europeus, personificada através da saudável relação entre esse perfeito exemplar nórdico que é o elfo e essa não menos perfeita representação daquilo que é o cidadão latino sul-europeu típico - o anão. De realçar também os simpáticos hooligans que dão pelo nome de Orcs (quiçá o seu líder possa ser entendido como uma singela homenagem a Michael Jackson). Mas nesta espécie de Guerra do Peloponeso na Terra Média, as cenas mais marcantes acontecem na parte final. Aí se verifica uma situação que tende a tornar-se cada vez mais comum no mundo globalizado: o emigrante (Frodo) que parte à descoberta de novos mundos e quando chega à terrinha (o Shire) verifica que nada muda, desilude-se pois pensava que aquilo teria evoluído, morre de tédio e torna a partir. Uma sensação que já terá sido vivida por estes, estes, um ou outro destes e mais alguns. Ou então não, isto já sou eu a especular. Mas lá que a intenção de Tolkien era comparar o Shire a Portugal, isso é indesmentível. Por fim, voltamos a falar do lado misógino do autor, que nos fica como a imagem forte do filme: a colocação no centro do Mal (aquela bola de fogo em cima da torre) de algo de muito semelhante ao órgão sexual feminino. Existem portanto duas conclusões possíveis: Tolkien era gay (do tipo ressabiado porque acha que as mulheres lhe levam os homens todos) ou nunca teve sorte com elas (uma vingança na qual as personagens representam todas as mulheres que o mandaram passear - o que obrigaria a repensar toda a teoria).
Cais de Viana
Em Viana do Castelo vai-se criar um projecto na marina, aproveitando aquele edifício pomposamente chamado “Complexo Turístico da Marina”, que está desaproveitado há anos, e no qual vão ser instalados meia dúzia de restaurantes e bares. Pessoalmente, desconfio sempre que ouço a frase “estão criadas condições para sermos um pólo central da animação nocturna, atraindo gente de todo o Norte e até da Galiza”. Da última vez que ouvi tal coisa construíram-se de raíz também uns quantos bares, num investimento avultado no Campo da Vinha aqui em Braga, dos quais o último resistente fechou alguns meses depois da inauguração. A empresa responsável será a Dourocais, empresa que criou o “Cais de Gaia”, no qual este empreendimento será inspirado, o que à partida seria uma boa notícia. Mas confesso que fiquei de pé atrás depois de ler isto. Esperemos que aqui seja diferente. Deste modo, finalmente se poderá assistir ao aproveitamento de um local de inegável beleza, que, se tudo correr bem, terá uma obra à sua medida e que o enriquecerá ainda mais.

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Miki Feher
Lembro-me de uma capa de O Jogo, numa reportagem que foram fazer à Hungria, sobre a nova contratação do FC Porto, que chegaria no final dessa época. Foi a primeira vez que ouvi falar dele. Era considerado a grande promessa do futebol húngaro, já jogava na 1ª divisão com 17 anos. Esteve cerca de seis anos por cá onde, desportivamente, teve alguns bons momentos, mas nem sempre foi feliz. Espero que em tudo o resto o tenha sido.

domingo, janeiro 25, 2004

Modernices
Acho que o Technorati novo me anda a roubar. E agora o cosmos daquilo aparece de uma forma esquisita, nem dá para ver os blogues. Não há volta a dar-lhe, em termos de Internet eu sou um bocado reaccionário. E ainda por cima, tenho um blogue sem comentários...

Ah!
Leio no Avatares que o tão falado blogue afinal não é da Anabela Mota Ribeiro. Pois...

Quinta Pedagógica
João Nogueira, vereador da educação da Câmara Municipal de Braga, na inauguração da Quinta Pedagógica da cidade: “Aqui as crianças vão poder ver um burro a sério, vão ficar a saber que as galinhas põem ovos e não nascem nas prateleiras do supermercado”.
Era desnecessário criar um novo espaço para se verem “burros a sério”. Então o edifício da Câmara não é aberto ao público?

Possibilidade do sentir
Anda tudo a comentar este blogue. Este pessoal arranja coisas estranhas para se entreter. Desde o Gollum com sida até à Odisseia em grego, aquilo parece-me tudo demasiado absurdo.

CAN 2004
Começou hoje a Taça de África das Nações, aquela que das grandes competições é a que tem a calendarização mais absurda. Realmente, não lembra a ninguém enfiar uma competição continental a meio da época europeia, sabendo-se que os melhores jogadores africanos estão todos na Europa. Tudo isto leva ao usual clima de guerrilha que se faz sentir a cada edição da competição. Ainda por cima, esta prova joga-se a cada dois anos, contrariando a normalidade que convencionou jogarem-se estas competições a cada quatro anos, tais como o Campeonato do Mundo, o Europeu, ou mesmo o Asiático. Geralmente, nestas ocasiões, os clubes comportam-se com a arrogância própria de quem sabe que tem dinheiro e poder, e não gostam de ser contrariados. A FIFA, cumprindo a sua função, coloca-se do lado das federações africanas, mas não pode obrigar os jogadores, que cada vez têm menos interesse numa competição tão deslocada (como acontece com Benni McCarthy), a ir jogar a CAN. Pede-se, pois, um pouco de bom senso, organizando-se a competição apenas de 4 em 4 anos e de preferência no Verão, de modo a evitar polémicas estéreis e desgastantes.
Quanto ao futebol em si, o jogo inaugural, um Tunísia-Ruanda, ficou 2-1, com os três golos a resultarem de jogadas de bola parada. É a europeização do futebol africano.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Irão e Turquemenistão: incoerências americanas
São dois países vizinhos, ambos maioritariamente muçulmanos, com diferentes regimes políticos. Um é comentado por todo o mundo, geralmente considerado um exemplo do mais puro fundamentalismo religioso, como se não houvesse nenhum país com práticas semelhantes. O outro é quase desconhecido, não merece espaço nos media nem editoriais inflamados e os opositores ao regime são ignorados quase por completo. O Irão é um estado teocrático, regulado por leis que seguem estritamente o Corão (na interpretação dos seus líderes, obviamente) cujo guia supremo Ali Kamenei, ayatollah supostamente iluminado por deus, não é eleito democraticamente. Este fundamento religioso justifica para os guardiães da verdade todas as arbitrariedades, desde as restrições à liberdade de expressão até às perseguições, que muitas vezes acabam em tortura e prisão, a todo o tipo de activistas que não obedeçam aos cânones. Porém, há uns anos, parecia que as coisas estavam lentamente a mudar. O presidente, que é eleito pelo povo, apesar de ter os poderes limitados (são menores que os do ayatollah) encetou uma política reformista que, à primeira vista, levava uma boa direcção. Com efeito, Kathami simbolizava a esperança das pessoas numa maior abertura política, cultural e económica. No Irão saía-se à rua e participava-se num processo que a certa altura parecia imparável.
Porém, hoje em dia, tudo isso está estagnado. O poder conservador demonstra sem pejo a sua força, recusando candidaturas de reformistas ao parlamento por motivos politicamente tão relevantes como “não cumprir as cinco rezas diárias”. A contestação popular está muito reduzida, assistindo-se a uma desmobilização impensável há uns anos atrás. As pessoas estão resignadas e desiludidas. Isto aconteceu devido à não realização das expectativas por parte de Kathami. O presidente não conseguiu aproveitar o élan da mobilização popular em torno da sua figura, provavelmente por falta de cojones para tão árdua tarefa. Convenhamos que não é para qualquer um. E há um facto que terá porventura tido uma importância decisiva para a imobilidade do presidente: não sentiu o apoio necessário a nível internacional. Por “nível internacional”, leia-se Estados Unidos, pois, como é sabido, a relevância da Europa nestas contas é reduzida. De facto, nos últimos tempos de Bill Clinton, assistiu-se a uma prudente e ligeira aproximação, com um certo desanuviamento em termos de acções e declarações mútuas, reconhecendo-se uma boa dose de sensatez e visão por parte dos EUA. Todavia, surgem pouco depois dois fenómenos devastadores para o sistema internacional: George W. Bush e o 11 de Setembro. A pouca dose de racionalidade que existiria na nova administração para lidar com o movimento reformista iraniano desaparece. Não há distinções entre defensores da abertura e os fundamentalistas religiosos. Atira-se com o Irão para o “eixo do mal”. Os detentores do poder, quais animais acossados, apertam cada vez mais a malha, tornando-se ainda mais intransigentes, tornando a margem de manobra de Kathami cada vez menor. Assim, o processo de ocidentalização do Irão regrediu em vez de progredir, muito graças à inépcia de uma Administração que em nada contribuiu para a tentativa de implantação no país de uma democracia. Provavelmente acreditam que estas coisas só se fazem à bomba.
O Turquemenistão é, por sua vez, um país governado por um dos lunáticos do costume que se crê o personagem mais importante da História Universal. O presidente Saparmurat Niyazov (creio que é este o nome da criatura), além das medidas usuais, tais como espalhar o seu retrato por tudo o que é rua, escola e casa particular ou construir estátuas douradas com a sua imponente figura, deu-se ao luxo de mudar os próprios nomes dos meses em sua honra e da sua família. Além disso, escreveu um livro, que tem naturalmente de servir de orientação sagrada para todos os cidadãos do país, uma espécie de mistura entre o Corão e o Livro Vermelho. É conhecido como o “Livro Verde”. Como será fácil imaginar, qualquer tentativa de questionar o senhor é alvo de repressão imediata e eficaz. Ora, o curioso de tudo isto é que este mesmo país é envergonhadamente considerado pelos EUA como um aliado económico, recebendo mesmo, há pouco mais de um ano, a visita desse inefável Donald Rumsfeld. É o realismo político levado ao extremo.
A incoerência da política externa norte-americana, a forma como trata os estados em função dos seus interesses próprios, independentemente do maior ou menor respeito pelos direitos humanos que estes demonstram é que provocam uma cada vez maior hostilidade por parte das opiniões públicas para com os Estados Unidos. O chamado anti-americanismo não é uma doença primária da qual padecem os “derrotados da guerra fria”. É um fenómeno cada vez mais alimentado pela política externa dos próprios americanos. Os que perceberam isso vão votar democrata, qualquer que seja o candidato. Porque querem que o seu país “volte a ser respeitado” por esse mundo fora, o que, com esta Administração, não tem sido nada fácil. Tirá-los de lá era uma ajuda.

Discos Pedidos 2
Do "Waiting for the Sun", um Jim Morrison curioso e descontraído. Para nós.

Love Street
She lives on Love Street
Lingers long on Love Street
She has a house and garden
I would like to see what happens

She has robes and she has monkeys
Lazy diamond studded flunkies
She has wisdom and knows what to do
She has me and she has you

She has wisdom and knows what to do
She has me and she has you

I see you live on Love Street
There's this store where the creatures meet
I wonder what they do in there
Summer Sunday and a year
I guess I like it fine, so far

She lives on Love Street
Lingers long on Love Street
She has a house and garden
I would like to see what happens

Coisas muito bonitas e comoventes
Este post do besugo, por exemplo.

terça-feira, janeiro 20, 2004

E não se pode abortá-los?
No debate da RTP1 que terminou há pouco, uma senhora de uma qualquer organização do chamado direito à vida e um deputado do PSD compararam os defensores do direito ao aborto a "esclavagistas" e "nazis". Os argumentos desta gente estão cada vez mais originais.
A presença militar norte-americana na Geórgia vai-se tornar permanente. A política externa dos EUA continua a orientar-se unicamente para a defesa desinteressada dos valores democráticos, designadamente um oleoduto de transporte do petróleo do mar Cáspio avaliado em muito milhões de dólares.
Foram vocês que inventaram isto?
Teorema de Hecksher-Ohlin: "Um país deve especializar-se na produção e exporação de bens ou indústrias que são relativamente intensivos na utilização do factor relativamente abundante."

sábado, janeiro 17, 2004

Este post, é sobre vírgulas
Hoje em dia o problema, reside...
O fenómeno, começou...
Os criminosos, são esses sacanas...

Isto são apenas alguns exemplos, tirados ao calhas, de um fenómeno que se está a alastrar (demasiado) rapidamente. A mania de enfiar uma vírgula entre o sujeito e o verbo está a galgar fronteiras, entre jornais, e-mails, blogosfera, enfim, todo o tipo de textos. Obviamente, não me quero armar em corrector ortográfico, até porque estes pequenos erros todos dão e eu, naturalmente, não fujo à regra. Mas creio que estas coisas se tornam preocupantes quando vemos quase uma institucionalização da vírgula naquele sítio nos mais variados posts, notícias, artigos de opinião, etc.
Se nos blogues não há um grau de exigência por aí além, nos jornais, que têm uma circulação muito mais vasta, espera-se que corrijam esta onda de modo a manter uma certa garantia de qualidade (os que a têm). Isto já para não falar dos inenarráveis rodapés dos telejornais…

Mais vale tarde…
Algumas personalidades do PS entraram em força na campanha por um novo referendo sobre o aborto. A campanha continua, também na Internet, até se chegar às 75 mil assinaturas. Cada vez mais a sociedade portuguesa se mobiliza e começa a perceber que é uma injustiça brutal uma mulher ir parar à cadeia por fazer um aborto. Até no PSD já muita gente compreendeu isso. Se por acaso eles mandassem no governo, já se tinha feito outro referendo.

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Discos pedidos
Cá está, o tipo de evolução combatido pelo FSM, tão bem descrito pelos Pearl Jam...

Do the evolution
I’m ahead, I’m a man
I’m the first mammal to wear pants, yeah
I’m at peace with my lust
I can kill ’cause in God I trust, yeah
It’s evolution, baby

I’m at piece, I’m the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I’m a truck
All the rolling hills, I’ll flatten’ em out, yeah
It’s herd behavior, uh huh
It’s evolution, baby

Admire me, admire my home
Admire my song, here’s my coat
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I’ll do what I want but irresponsibly
It’s evolution, baby

I’m a thief, I’m a liar
There’s my church, I sing in the choir:
Hallelujah
Hallelujah

Admire me, admire my home
Admire my song, admire my clothes
’cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant indians got nothin’ on me
Nothin’, why?
Because, it’s evolution, baby!

I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I’m higher
Twenty-ten, watch it go to fire
It’s evolution, baby
Do the evolution
Come on, come on, come on
Fórum Social Mundial
Está descontente com o planeta em que vive? Acha que a injustiça social é cada vez mais gritante? Pensa que isto se está a tornar insustentável? Acredita que podemos mudar o estado de coisas? Há um mar de gente que pensa o mesmo. Este é o seu livro de reclamações, com bónus de ideias para tornar este mundo um lugar mais pacífico, justo e igualitário. Faça um esforço por o acompanhar para além das notícias de rodapé. Aqui e aqui, por exemplo, são boas sugestões.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Bloggin'days
Cada vez encho mais a galeria aqui ao lado. Inicialmente, estava com ideias de fazer links apenas para aqueles que visito regularmente, mas depois fui aumentando a lista, o que até tem lógica: já que utilizo o meu blog como home-page, tenho acesso imediato a uma quantidade maior. Vem isto a propósito da mais recente aquisição, a tal tropa fandanga que, ao que consta, está espalhada por esse mundo fora. São de direita e escrevem umas coisas com piada. Do tipo que só se encontra na blogosfera. Desconhecia realmente a existência de alguém que juntasse as duas coisas antes de começar a ler blogs. Todo este pessoal, incluindo os cabecilhas da clique mexiano-lombar deviam realmente assumir outro tipo de protagonismo fora da esfera bloguística, sob pena de quem não tem acesso à Internet pensar que à direita só há imbecis e populistas. Pelo menos era o que eu pensava, com raríssimas excepções.
Bem, voltando ao assunto, aqui ao lado começa a encontrar-se um pouco de tudo, inclusive blogs que visitei uma vez e, já que estava com o template à vista, lá vai água...
Mas há alguns incontornáveis, tipo o Barnabé (a inevitável referência), o Abrupto (porque foi através dele que eu, tal como 80% da comunidade, ouvi falar pela primeira vez nesta coisa dos blogs), os blogs de combate (o da ATTAC e o simbiótico BSP), o Gato (sempre a bombar), el blog más caliente (a minha maior descoberta nos últimos tempos), a Caderneta (a memória de nomes míticos), os idiossincráticos A Praia, Aviz e TdN e, claro, o primo Pintelho, além dos já acima referidos. Já vi que não tenho jeito para isto, por pouco punha-os a todos...
Antes de ter um blog, criticava-os por passarem metade do tempo a comentar-se uns aos outros. Agora percebo-os. No fundo, andamos aqui todos como este.
Onde andas, Pipi?
O segredo pior escondido da blogosfera não posta há um mês. O Placard diz que ele se aburguesou. É um roto. Não aguentou com o sucesso, meteu-se na droga, depois vai engordar e suicidar-se. Teme ser descoberto. Lembrou-se de publicar um livro e abandona o meio que lhe deu fama. E o pior é que sentimos falta dele.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Depois da transcrição de dois textos de John Baylis e Steve Smith, pergunta-se o seguinte:
Identifique claramente a relação de causa-efeito que podemos estabelecer entre a mutação da ordem westfaliana, o consequente definhamento do papel central dos estados-nações como actor principal da ordem internacional face à emergência de novos actores internacionais que aponta para uma nova ordem internacional denominada de "transnacional".
Esta questão saiu no meu exame de hoje e uma interrogação surgiu-me: como responderia o lider mundial George W. caso lhe perguntassem uma coisa destas?

terça-feira, janeiro 13, 2004

Plágios
O primo Pintelho é fixe. Depois de um elogio à qualidade das minhas cordas vocais, vem bufar um lunático qualquer vindo de nowhere que anda aqui a pescar ideias. Obrigado pelo aviso, Pintelho. Estes amadores recém-chegados à blogosfera têm a mania de vir roubar ideias para posts a consagrados tipo eu, que criei um blog no minuto seguinte ao Al Gore ter inventado a Internet. Já agora, se souberes, podes-me ajudar mais um pouco: diz-me qual é a diferença entre uma visita e uma page-view.
Por falar em cómicos...
Realmente, não há pedofilia na Madeira, nunca ninguém ouviu falar de tal. Isso é uma coisa dos cubanos do continente, aliás tudo isto é uma campanha deles. Também, quem lhes mandou ter os comunistas a controlar tudo?
O cómico dos pneus
Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, diz que está em curso uma estratégia concertada entre Porto e Sporting de controlo das arbitragens, de modo que estas prejudicam invariavelmente o seu clube. Isto numa semana em que o Benfica empatou com um golo nascido de uma falta de Simão transformada em canto contra o Leiria e outro após fora de jogo do Sokota. De facto, o Benfica é a equipa portuguesa com os melhores jogadores e melhor treinador e só não está em primeiro por causa dos árbitros. Já agora, parabéns pelos prémios da UEFA.

segunda-feira, janeiro 12, 2004

O melhor
José Mourinho foi eleito o melhor treinador da Europa de forma esmagadora, como costumam ser as suas vitórias. Nada mais justo. Não tão esperada, mas igualmente merecida, foi a eleição do Paulo Ferreira, à frente de nomes como Michel Salgado ou Thuram. O Deco e o Ricardo Carvalho não entraram no onze por muito pouco. O Derlei ficou no 4º lugar no que diz respeito aos avançados. O reconhecimento natural de uma qualidade superior.
Ainda AFT
Ah, tinha-me esquecido do “aperfeiçoamento da raça”. JPP, oportunamente, lembrou-o hoje na SIC. Depois da “cultura, só a das batatas”, o Presidente Eterno deixa outra bela contribuição para a história das ideias políticas amaranto-marcoenses.

Campeões de Inverno… naturalmente
Fechou a 1ª volta da Liga, com um belo espectáculo em Leiria, na inauguração oficial daquele que será provavelmente o mais inútil dos estádios do Euro, depois do intermunicipal do Algarve. Mais uma vez, o Benfica voltou a mostrar as suas debilidades defensivas, que não puderam ser evitadas por Fyssas que, à primeira vista, está na linha dos outros gregos que já passaram pelo nosso futebol, nem por esse assassino contratado que dá pelo nome de Argel. A reter a bela exibição do trio atacante da U. Leiria que graças aos reforços de Inverno terá certamente uma 2ª volta mais sossegada que a 1ª. Quanto ao FCP, ganhou com naturalidade, com um surpreendente Maciel que demonstrou um entrosamento com os companheiros e uma desinibição inusual para quem apenas chegou esta semana. Para além disso, mostrou ainda que não é apenas extremo e pode desempenhar o papel de Derlei num 4-4-2, acompanhado por um McCarthy que é imparável quando está moralizado. Quanto ao resto, de destacar a vitória do Braga, que se coloca a apenas um ponto do 3º lugar, e a continuação da péssima campanha da Briosa desde a venda de Dário, o mais suicida acto de gestão da temporada na Superliga.

Cantiga para já
Fui ontem ver o espectáculo que fechou a loja na “Coimbra Capital da Cultura” o ano passado e anda agora em périplo pelo país, podendo-se dizer que ficou aquém das expectativas. A peça era tida como uma homenagem a Zeca Afonso, mas de Zeca pouco teve. Umas ligeiras referências ao 25 de Abril, um toque de africanismo e meia dúzia de momentos engraçados não chegam para que se possa considerar o espectáculo interessante. Uma história intrincada, na qual se havia alguma mensagem subtil ficou por passar, com uma data de pessoas fechadas numa praça a recitar uns quantos monólogos enquanto lá fora se celebrava a revolução, e que, em certos momentos, parecia uma mistura de “O Cubo” com o “Big Brother”. Decididamente, esperava-se mais de uma peça que foi eleita para encerrar o ano na nossa primeira Capital Nacional da Cultura.

domingo, janeiro 11, 2004

O povo ama-o!!!
Avelino Ferreira Torres, esse nome incontornável da democracia portuguesa, inaugurou a sua sede de campanha para as eleições autárquicas em Amarante, 2 anos antes das mesmas. Um mar de gente encheu a zona em volta da sede, onde se distribuía propaganda, demonstrando o seu carinho pelo ainda presidente da câmara do Marco. Juntamente com guarda-chuvas, t-shirts e todos os brindes do costume, ofereceu cravos vermelhos à população da sua terra natal. É o verdadeiro homem de Abril. Consta que Fátima Felgueiras, essa combatente pela liberdade, já lhe manifestou o seu apoio.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

Numa banca perto de si
Este é um fim de semana de recolha intensiva de assinaturas para exigir um novo referendo sobre o aborto. Temos mais uma oportunidade de mostrar que afinal até somos um país civilizado, que não envia para o banco dos réus as mulheres que abortam. Lista dos locais das bancas no Barnabé.
Fotocópias, fotocófias, fotocópias
Montes de fotocópias enormes, desinteressantes e inúteis. Fotocópias em português, fotocópias em inglês, fotocópias em francês, páginas da internet. Quando é que os professores universitários aprendem a dar umas sebentas ou algo do género no início do ano com o material relevante em vez de nos obrigar às visitas semanais à reprografia para ir buscar todo o tipo de lixo impresso?
Tangerinas
Conselho aos estimados leitores: tenham atenção a escolher tangerinas no supermercado, pois elas este ano estão muito fracas. De facto, há que ter muito cuidado, devendo-se escolher apenas aquelas que têm a casca meio a sair e não as que têm a casca mesmo colada à tangerina, uma vez que essas são quase sempre secas e sem sabor.
Libertinagens
Os diálogos quase semanais entre o Comprometido e um dos Barnabés (ele consegue chateá-los a todos) tornaram-se um clássico da blogosfera. Desta vez, o Luciano Amaral lembrou-se de comparar o Luiz Pacheco ao Saramago e ao Lobo Antunes. Certamente, o meu conhecimento literário será menos de metade do dele, mas tudo isto é um pouco absurdo porque está a tentar comparar os System of a Down à Mariza. São registos tão diferentes que não há qualquer comparação possível, mesmo havendo imenso mérito quer de um lado, quer de outro. Não deixa de ser verdade que basta ouvir uma frase do Luiz Pacheco para se ficar fascinado. Aliás, o Libertino é uma personagem tão sui-generis que não podia sair de mais lado nenhum a não ser da "única cidade pior que Jerusalém", tal como, por exemplo, o Adolfo Luxúria Canibal. É bom viver em Braga!
O canto da inquietação está de volta
José Mário Branco tem um novo CD de originais, o primeiro em muitos anos. O lançamento será no 1º de Maio, com um concerto no Porto. Espera-se que esteja à altura de alguns dos melhores momentos da MPP, como este:

De pé (Saudação a Antero)
Força é reconhecer
Que a morte, quando escolhida
É uma espécie de antever
A vida dentro da vida
É parecida
Só parecida
Com a vida por viver

Num jardim quadrangular
À vista do oceano
Pode perder-se o olhar
Na praia do desengano
É humano
Sobre-humano
É ter um canto p'ra salvar

De pé, meu canto, não te rendas
Saúda o Mestre das oferendas
Canta, canta, coração
Que o Poeta só te dá o que lhe dão

De pé, memória do futuro
Há sempre luz ao fim do escuro
Numa ilha só morre o que lá está
O que conta, no que foi, é o que será

É bem pobre condição
Render-se ao desespero
E ler só morte na mão
Direita de Antero
O que eu quero
Porque quero
É negar a negação

Há uma ausência feroz
Que veste a nossa mágoa
E esquecemos que é por nós
Que a fonte deita água
Mas eu trago-a
Mas eu trago-a
É a razão da minha voz

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Chelsky
O Chelsea voltou a perder, o que são sempre boas notícias para que gosta do futebol como um jogo. Quando tiver mais tempo, desenvolvo este tema.

O Minho, todo o Minho
A iniciativa da Universidade do Minho de criar um Pacto de Desenvolvimento Regional englobando os distritos de Braga e Viana do Castelo parece ter pernas para andar. No próximo sábado, o pacto será assinado, com a presença de Durão Barroso. O objectivo central deste pacto é fazer com que o Minho tenha uma acção integrada e conjunta de lobby junto do poder centralizado, assim como atrair investimento, tanto nacional como estrangeiro, para a região. Obviamente, um projecto desta dimensão provoca algumas desconfianças, mas creio que com um diálogo cuidado estas poderão ser ultrapassadas. O pacto foi assinado pela UM, a AI Minho, as uniões de sindicatos de Braga e Viana e 19 câmaras municipais. Os relutantes, além dos institutos politécnicos de Viana (IPVC) e Barcelos (IPCA), são as autarquias do Vale do Lima mais Caminha. Provavelmente prevêem um excessivo protagonismo de Braga e do Baixo Minho, sendo que esta atitude fechada é resultado de o Alto Minho ser desde sempre uma das regiões mais desfavorecidas pelo poder central e temem que este Pacto seja mais do mesmo, apenas mudando a centralidade. É de realçar que o Alto Minho sempre foi vítima de um tratamento injusto, sendo que é o único distrito do litoral que sofre dos males da interioridade. De qualquer forma, mesmo com todas as dúvidas e porventura desconfianças que possam existir, esta é uma oportunidade rara que o Minho como um todo não deve desperdiçar, de modo a atingir uma maior relevância no panorama nacional.

Olha que simpático que é o senhor!
George W. anuncia estrondosamente, curiosamente a menos de um ano das eleições, que vai legalizar todos os imigrantes nos EUA. Do que deu para perceber, esta legalização é limitada no tempo: em vez de os imigrantes terem o direito a viver permanentemente nos EUA, estão subordinados à necessidade de estar empregados ao fim de 3 anos, de modo a continuarem lá. Isto vai, naturalmente, levar à exploração de muitos desses imigrantes por parte dos patrões que sabem ter a faca e o queijo na mão, podendo chantagear à vontade os seus empregados, fazendo-os trabalhar nas mais precárias condições, uma vez que estes precisam do emprego a todo o custo.
De qualquer forma, o mais provável é que esta proposta nem passe e que seja tudo fogo de artifício para mexicano ver, uma vez que a maioria republicana nem sequer estes rebuçados está disposta a dar. Assim, tudo fica na mesma e o presidente passa a ser reconhecido como um defensor dos imigrantes. Simples e eficaz.

Calado que nem um rato
Este blog faz a pergunta mais pertinente sobre o processo da Casa Pia. Mesmo quando a direita acordou para estas coisas, já fala em “orquestração” (é chato quando nos toca a nós, não é verdade?), já começa a pedir censura para a comunicação social, o indivíduo, que normalmente opina sobre tudo, lá continua na dele. Porque será?

quarta-feira, janeiro 07, 2004

Provincianismos
Às vezes, o Abrupto tem coisas mais interessantes ditas pelos seus leitores do que pelo seu autor.
Our moment of zen
Boas notícias, o Jon Stewart está de volta à SIC Radical, espero que os programas não tenham o costumeiro atraso de um mês. É das melhores coisas que os EUA têm para nos oferecer e vem-nos relembrar que aquilo, apesar de tudo, é mesmo um país democrático.
Braga em 2032
Já que estamos numa de artigos de opinião, está aqui este do Eduardo Jorge, simplesmente irresistível.
"O Fim do Sionismo"
O texto foi escrito lá para Outubro do ano passado por Avraham Burg , do partido trabalhista, para o jornal Yediot Ahronot (link só para quem souber ler hebraico). Vão aqui uns extractos que saíram na altura no Público:
"A revolução sionista sempre assentou em dois pilares: uma via justa e uma liderança ética. Ambas desapareceram. (...) Há uma grande probabilidade de a nossa vira a ser a última geração sionista. Ainda poderá haver aqui um Estado judaico, mas será de um outro género, estranho e feio.
(...) A oposição não existe, e a coligação, com Ariel Sharon na chefia, clama o direito de guardar silêncio. Numa nação onde cada um é um fala-barato, todos se tornaram subitamente mudos, porque não há nada a dizer. Fracassámos de um modo terrível. Sim, é verdade que fizemos renascer a língua hebraica, criámos um magnífico Teatro e temos uma moeda nacional forte. Estamos cotados no Nasdaq [índice da bolsa de Nova Iorque]. Mas foi para isto que criámos um Estado judaico? O povo judeu não sobreviveu durante dois milénios para ser pioneiro de novas armas, de programas informáticos de segurança ou de mísseis antimísseis. Deveríamos ser uma luz entre as nações. E nisto falhámos.
Parece que 2000 anos de luta pela sobrevivência judaica se reduzem a um Estado de colonatos, dirigido por uma clique de fora-de-lei, corruptos e sem moral, que não ouvem nem os seus cidadãos nem os seus inimigos. Um Estado sem justiça não pode sobreviver. (...) A contagem para o fim da sociedade israelita já começou.
É muito confortável ser um sionista nos colonatos da Cisjordânia, como Beit El e Ofra. A paisagem bíblica é maravilhosa. Pode-se apreciar os gerânios e as buganvílias sem ver a ocupação. Viajando pela auto-estrada que liga Ramot, no extremo norte de Jerusalém, a Gilo, no extremo sul, um itinerário de 12 minutos que passa apenas a 800 metros a ocidente das barreiras nos territórios palestinianos, é difícil medir a experiência humilhante que vivem os desprezados árabes obrigados a esperar durante horas nos caminhos bloqueados a que foram confinados. Uma estrada para o ocupante, outra para o ocupado.
Isto não pode dar certo. Mesmo que os árabes baixem a cabeça e engulam a vergonha e a revolta indefinidamente, isto não pode dar certo. Uma estrutura que assenta na insensibilidade humana acabará, inevitavelmente, por ruir sobre si própria: a super-estrutura do sionismo já está a ruir.
(...) Israel, que deixou de se preocupar com os filhos dos palestinianos, não deveria surpreender-se quando eles vêm banhados em ódio para se fazer explodir nos centros onde os israelitas fogem da realidade. Eles entregam-se a Alá nos nossos lugares de divertimento, porque a vida deles é uma tortura. Eles fazem correr o nosso sangue nos restaurantes para nos retirar o apetite, porque em casa têm pais e filhos humilhados e com fome.
Podemos matar milhares de chefes de bandos por dia e nada será resolvido, porque os chefes vêm de baixo - dos poços de ódio e de cólera, das 'infra-estruturas' da injustiça e da corrupção moral.
Se tudo isto fosse inevitável, ordenado por Deus e imutável, eu guardaria silêncio. Mas as coisas podem ser diferentes, e o grito tornou-se portanto um imperativo moral. Eis o que o primeiro-ministro [de Israel] deveria dizer ao seu povo:
O tempo das ilusões terminou. Chegou o momento das decisões. Amamos toda a terra dos nossos antepassados e noutros tempos teríamos desejado viver aqui sozinhos. Mas isso não acontecerá. Os árabes também têm sonhos e necessidades. Entre o [rio] Jordão e o [mar] Mediterrâneo já não há uma clara maioria judaica. Por isso, queridos cidadãos, não é possível ficar com tudo sem pagar um preço. (...) Não pode haver democracia sem direitos iguais para todos os que vivem aqui, árabes e judeus. Não podemos ficar com os territórios e preservar a maioria judaica no único Estado judaico do mundo - não por meios que sejam humanos, e morais e judaicos.
(...) O primeiro-ministro deve apresentar a situação com clareza: racismo ou democracia judaica. Colonatos ou esperança para ambos os povos. Visões falsas de arame farpado e bombistas suicidas ou uma fronteira reconhecida internacionalmente entre dois estados com uma capital partilhada, Jerusalém. (...)"

Um pouco de consciência
As caixas de comentários do Barnabé costumam ser locais de diálogos interessantes mas por vezes intermináveis, tipo este. Cá como um pouco por todo o mundo, há muito quem enalteça as virtudes da democracia israelita (curiosa democracia esta, que só existe para uma parte dos seus cidadãos) e ache que os palestinianos são todos um bando de suicidas que só querem é ver sangue. Apesar de se falar muito do contrário, a propaganda pró-israelita é poderosíssima e nota-se nas pequenas coisas, sendo contrariada apenas por números como estes (não estão muito actualizados mas de certeza que continua a ser mais do mesmo). Enquanto el pibe (que contribui bastante para enriquecer o Barnabé, aliás, acho que escreve mais neste que no próprio blog) acha que os objectores de consciência são cobardes e defender os palestinianos demonstra uma má consciência, há quem em Israel lhe meta a mão. Está no próximo post.

862, esse número mágico
Temos o prazer de informar as nossas centenas de milhares de leitores que o PdP já está cotado no Technorati, ocupando de momento um honroso 862º lugar (obrigado, Pintelho). Porém, temos objectivos mais ambiciosos, quiçá inatingíveis: propomo-nos atingir o 696º lugar até ao final da corrente temporada.

terça-feira, janeiro 06, 2004

Resposta à altura
Os EUA implementaram um sistema no qual fotografam e recolhem as impressões digitais de todos os turistas que os visitam, excepto os oriundos dos 28 países que fazem parte do programa "visa waiver".
Ora, o Brasil não faz parte deste programa e o governo brasileiro decidiu retaliar, fotografando e recolhendo as fotografias e impressões digitais dos cidadãos americanos (e só dos americanos) que cheguem aos aeroportos do Rio ou de São Paulo. Foi o único. O país de Lula às vezes tem destas coisas que nos fazem pensar que nem todos se agacham perante os poderosos.
Regresso aos extremos
O FC Porto apresentou hoje as suas duas contratações pré-anunciadas. Carlos Alberto é o tí­pico brasileiro desconhecido de quem se diz ser um génio, que tanto pode ser um Deco como um Carlos Miguel (que teve um merecido destaque a semana passada na Caderneta da Bola). Quanto ao Maciel, é já um conhecido do Mourinho, o que só abona em seu favor, uma vez que este nunca faz nada por acaso. Creio que vai ser muito importante na Superliga (não pode jogar na Liga dos Campeões), uma vez que o ideal para o FCP neste momento é regressar ao 4-3-3, mesmo com um Marco Ferreira muito longe do que pode dar. De facto, o 4-4-2 neste FCP é um esquema à medida do Derlei e não funciona ser ele, como se viu no jogo com o Rio Ave. Portanto, para o futebol cá da paróquia, o 4-3-3 da época passada serve perfeitamente, com um ataque que será provavelmente Maciel-McCarthy-Marco Ferreira (assim este comece a jogar a sério), já que César Peixoto também vai continuar lesionado nos próximos tempos. Quanto ao jogo de ontem, o FCP voltou a mostrar que consegue fazer a diferença para os seus rivais: mesmo quando joga uma merda ganha! É também de realçar a boa exibição do Rio Ave que, se não fosse uma certa ingenuidade ofensiva, tinha feito uma surpresa que até mereceu. Parabéns pela equipa e treinador que têm a estes, estes e ainda estes.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Volta Diabo, estás perdoado
A direita pensante portuguesa está a funcionar a 50% desde 22 de Dezembro. O que é feito de Pedro Mexia? A blogosfera aguarda ansiosamente.
O Porto
Excelente entrevista ontem no Público (para quando as edições on-line dos suplementos locais fora de Lisboa?) ao arquitecto Souto Moura naquela que terá sido a sua primeira entrevista em muitos meses na qual não teve que falar do estádio de Braga. Lá diz tudo o que os portuenses não gostam de ouvir, incluindo aquilo que estes ainda não perceberam, como o facto de o sentimento generalizado em outras cidades do Norte em relação ao Porto ser o mesmo que existe no Porto em relação a Lisboa: "O Porto dá-se a ares. Nuns campos merece-os, noutros é preciso aguentá-los". Existe, de facto, uma arrogância bastante visível, já que enquanto a lisboeta é mais sobranceira (o tí­pico olhar de cima para baixo, com um misto de desprezo e incompreensão), a arrogância portuense é mais espalhafatosa, numa contí­nua necessidade de reconhecimento. À falta das ideias alternativas de que fala Souto Moura, o Porto continua o choradinho do poder central, que muitas vezes tem razão de existir mas nada resolve. No Porto, só se olha para além do próprio umbigo numa lógica de relações de poder, não há a capacidade de adoptar ideias para uma cidade que se revela cada vez mais fechada. Perde-se nas suas guerrilhas estéreis e não repara que há um mundo a mexer para lá do Bolhão e da Cedofeita. O Porto pode e deve ser muito mais relevante no contexto nacional, mesmo sabendo-se que não será uma posição muito confortável ser a 2ª cidade do mais centralista e macrocéfalo paí­s da União Europeia. Ainda Souto Moura: "Tudo o que se passa para as pessoas do Porto tem influência mas não tem para Lisboa(...)Mas no Porto não se passa nada, tem de se ir a Lisboa, que é onde está tudo. As pessoas formam-se e têm lugar em Lisboa, vão trabalhar onde há emprego. Portanto, o Porto não tem qualquer força política. Os polí­ticos que são do Porto estão em Lisboa". Nalguns casos, quando se fala do Porto, pode-se facilmente falar de qualquer outra cidade do país, mas isso é outra história. Estes factos não são da responsabilidade directa dos portuenses, têm raízes mais profundas, mas o Muro das Lamentações fica em Jerusalém, não na Invicta. Tem a palavra o Porto. Iniciativa precisa-se!
Barracadas
A blogosfera acolheu-nos no dia certo. Achei estranho hoje à tarde não ter acesso aos blogues situados no blogger, pensei que fosse do meu computador, mas afinal não, o TdN diz que houve mais pessoal a passar-se com isso. Foi mais um elemento da vasta conspiração que tentou impedir o PdP de ver a luz do dia, desta vez, ao que consta, através desse tenebroso polvo chamado Netcabo. Mas nós somos mais fortes. Resistimos!
Derby da 2ª circular
Hoje foi dia de clássico lá para baixo (geograficamente e na tabela classificativa) e o Daniel Oliveira ficou todo contente. Como sempre, o Benfica queixa-se da arbitragem. Antes disso, deviam-se preocupar com o enésimo banho táctico que o Camacho apanha. Até o Fernando Santos, valha-nos deus...
Enfim, não foi por aí, até porque mais escandalosa que o penalty do Silva foi a expulsão do Rochemback, arrancada a ferros. Quem voltou a provar que não tem estofo para estas coisas foi o Miguel, cuja evolução na carreira foi passar de extremo-direito medíocre para lateral-direito básico, apesar de ser constantemente promovido pela comunicação social. Ainda está para vir o dia em que complete 90 minutos num jogo grande. Além disso, a noite serviu também para o Benfica estrear o novo equipamento. Assim, ao longe, os jogadores parecem os do Manchester United há uns anos atrás. Só falta o resto... Pelo menos têm-lhe mais respeito: o Ricardo Rocha voltou a ser expulso mas desta vez não atirou a camisola para o chão.

domingo, janeiro 04, 2004

O que queremos?
Queremos fazer um blog aproveitando o que de melhor tem o nosso país. Assim, o nosso objectivo é fazer um blog com a coerência de um António Guterres, a simpatia de um Cavaco Silva, a seriedade de um Santana Lopes, a sobriedade de um Alberto João Jardim, a humildade de um José Mourinho, a imparcialidade de uma Leonor Pinhão, a delicadeza de um Pipi ou a honestidade de um Mesquita Machado. Provavelmente, terá também a regularidade de um Zahovic...
Talvez agora consiga perceber coisas que nunca consegui nos nossos bloggers: dá a impressão que todos se conhecem (seremos também um meio de combate ao predomínio da clique bloguística lisbonense), o que provavelmente significa que todos vivem na capital ou daí saíram para o estrangeiro; e fica-se com a ideia de que são todos um bando de desocupados que não trabalha com todo o tempo do mundo para postar. Sinceramente, espero vir a engolir as minhas palavras, o que significará que terei plena actividade postícia. Abra-se aqui uma ressalva para o Abrupto, já que é sabido que a profissão do seu autor não o obriga propriamente a grandes esforços.
Finalmente chegámos!!!
Depois de ultrapassadas várias barreiras levantadas pelas forças da reacção internáutica, estamos cá para mudar a maneira como se posta em Portugal. A blogosfera nunca mais será a mesma!

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